Quero ir para a Casa do meu Pai!



Abri meus olhos e vi. Vi coisas que me foram uma novidade espantosa. Eu vi fatos que eu nunca imaginava que veria um dia em minha vida. Vi mortes. Vi fogos, guerras, doenças, choro, etc. Vi muito nesse mudo. Vi o caos que tomava conta do mundo. E assim eu gritei: Tire-me daqui!
Eu não posso mais ligar minha televisão sem me esbarrar numa notícia de assassinato de um falso amigo que matou outro. Família desmoralizada, guerras, ódio, violência! Liberta-me disso! Não aguento mais!
Infelizmente nós estamos pensando mais em nossas rotinas, bem-estar, bens. Egoístas! Abra os olhos! Olhe para o mundo como ele deveria ser olhado há milênios. Ah, eu não sou daqui mesmo. Sou de outra terra. Lá, de onde vim e para onde tornarei a ir, não há caos nem tristeza, nem dor, nem aflição, nem angústia.
Estou impaciente! Quero muito partir para a eternidade de onde vim. Quero voltar para a casa do meu Pai. Onde tudo era lindo. Onde eu vivia a paz que eu necessito sempre. Faz tanto tempo que saí de lá, que quase não me lembro de como é a Casa dele.
Em meio a esses pensamentos eu choro. Em meio a estas reclamações eu olho para o mundo onde estou habitando. Ah, não chega aos pés da casa do meu Pai! Aqui é dor, angústia, tormento. Aqui é uma cadeia alimentar. Um derruba o outro. Aqui tudo é sonho, mas no meu Pai é a realidade. Tire-me daqui! Me leve ao meu Pai! Eu não aguento mais! Sinto falta da minha terra!
Pai, eu só te peço uma coisa. Uma só: não permita que eu me acostume com essa habitação temporária. Eu não posso me acostumar com esse mundo. Não posso me conformar, afinal de contas, minha casa real não é aqui. Aqui é temporário. Fui jogado aqui por causa de meus erros. Mas agora eu espero o retorno para a casa do meu Pai.
Não ligo se eu não vou viver com riquezas ao meu dispor. O meu alvo é voltar para a Casa do meu Pai. Essa é minha real esperança.


Ozni Coelho

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